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Vida de Sofrimento?

Shirley Barahona e Érica Marcelino

“Não Me escolhestes vós a Mim, mas Eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça” (João 15:16).
Ser escolhido por Deus! Ser escolhido para pregar, cantar, escrever, cozinhar, ouvir... Deus escolheu você para glorificá-Lo com os seus dons. “Somos então ordenados a ir a outras cidades e vilas falar das boas novas, com coração totalmente aceso pelo amor divino, até mesmo àqueles que estão distantes e a todos quantos o Senhor nosso Deus chamar. Falai a outros das benditas verdades de Sua Palavra e, ao obedecerdes às palavras de Cristo, prossegui em Seu amor” (Olhando para o Alto, MM 1983, p. 338).

Ribeirão Fundo, Minas Gerais, você já ouviu falar? É aqui que estamos. Chamadas por Deus! Certo rapaz aqui da vila nos disse: “Sair do estado do Espírito Santo para Ribeirão Fundo? Isso é realmente uma missão!”

Deus nos chamou aqui para honrá-Lo e glorificá-Lo. Não importa o tamanho do lugar, temos o trabalho de Deus para realizar aqui!

Nossa primeira semana foi bem especial! Realizamos nos primeiros dias um trabalho de higiene com as crianças do bairro. No restante da semana continuamos com um trabalho de evangelismo infantil. Nesse trabalho, cantamos, oramos, ensinamos as crianças a reconhecerem Deus como seu Criador e Amigo. Aproveitamos esses momentos para ensinar vários pontos sobre educação e comportamento.

Algumas crianças não têm pai ou mãe, outras foram abandonadas por eles. Trata-se de crianças carentes, que precisam de muito auxílio.

Visitamos vários lares para convidar as crianças para o projeto de higiene e me emocionei ao ver uma criancinha tomando água com açúcar. Você já parou para pensar em quantas crianças poderiam ser alimentadas pela quantidade de comida que você joga fora todos os dias?

Não é fácil estar longe da família e amigos, negar a vontade própria para fazer a de Deus! Mas não temos do que murmurar; moramos na única rua calçada do bairro, temos comida, saúde, o amor e a proteção de Deus.

Quantas vezes negaremos o chamado de Deus? Esquivando-nos das dificuldades, ou colocando diante de Deus condições para realizar o trabalho?

“Cristãos fiéis não procuram o lugar mais fácil, os fardos mais leves. São encontrados onde é mais árduo o trabalho, onde sua ajuda é mais necessária” (Cristo Triunfante, MM 2002, p. 48).

“Quando pensais que o caminho é demasiado estreito, que há demasiada renúncia nesta senda apertada, quando disserdes: ‘Quão duro é renunciar a tudo!’ Fazei a vós mesmos a pergunta: ‘Que renunciou Cristo por mim?’ [...] Ouvi as grosseiras zombarias e o escárnio cruel. Vede-os a colocarem nAquela nobre fronte a coroa de espinhos, se Lhe cravarem nas têmporas, e o sangue a escorrer dAquela fronte santa, [...] contemplai-O pendurado na cruz durante aquelas terríveis horas de agonia, a ponto de os anjos velarem o rosto para não verem a horrorosa cena, e o Sol esconder sua luz, recusando-se a contemplá-la. Pensai nessas coisas, e então perguntai: ‘É o caminho demasiado estreito?’ Não, não!” (Testemunho Para a Igreja, v. 1, p. 265-266).

Seria o frio, a saudade da família... demasiada renúncia?

“E disse Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mateus 8:20).

Que vida a do nosso Redentor, não tinha onde reclinar a cabeça! Talvez, depois de ler esse artigo, você irá se deitar em uma linda cama, com travesseiro e uma coberta quentinha, mas Jesus deixou o céu, os palácios celestiais, para não ter onde reclinar a cabeça a fim de nos salvar e mostrar ao homem que a obediência perfeita é possível.

“Então disse Jesus aos Seus discípulos: ‘Se alguém quiser vir após Mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-Me’” (Mateus 16:24).

Não sei quais são as suas lutas e provações, mas creio que Deus tem um propósito em cada uma delas. Nenhum dos nossos sofrimentos, por maior que seja, pode ser comparado ao sofrimento de Cristo na cruz por nós.

Jesus está esperando um povo, um povo que O honre com os seus lábios, com a sua conduta, um povo capaz de renunciar aquilo que mais ama por amor ao Redentor. Povo esse que escolheu a herança celestial, que decidiu jogar fora os remos e deixar Jesus guiar a embarcação rumo ao lar daqueles que antes de tudo decidiram renunciar o “eu”, daqueles que perceberam que é possível viver com menos. Você não gostaria de fazer parte desse grupo?

“Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação” (2 Coríntios 6:2).