Angola 2009
Por Clayton Silva
Ao contemplar as cenas finais da história desta terra e perceber minha responsabilidade em face desses eventos, passei a buscar uma experiência mais profunda com Deus a fim de estar pronto. Assim, decidi abrir mão de casa, profissão, família e uma vida estabilizada para estudar no IEST. Não foi uma decisão fácil, todavia, não a tomei movido pela emoção ou pelo impulso. Desde então, pela graça de Deus, comecei a alcançar vitórias sobre defeitos de caráter e tenho obtido um desenvolvimento físico, mental e espiritual.
Contudo, senti a forte intuição de que essa experiência com Deus poderia estreitar-se ainda mais. Foi então que o irmão Abilio Brito, um missionário de Portugal, visitou o Brasil com o propósito de recrutar missionários para atuar no campo evangelístico na África. Ao passar pelo IEST e apresentar o projeto, fiquei comovido e enxerguei ali a oportunidade de aprofundar meu relacionamento com Deus por meio dessa grande experiência. Comecei a orar, pois sabia que não seria tão fácil, tendo em vista as informações negativas que recebemos da Angola. Após algumas evidências, percebi que realmente esse era o chamado que Deus tinha para o meu estágio.
Ao chegar a Angola, contemplei a realidade de um país cujo contraste social é gritante e a despeito dos traumas advindos das guerras civis do país, o angolano é muito esforçado, trabalhador e amigo. E são pessoas, assim, que compõem o ministério leigo “A Voz dos Três Anjos”, ministério pelo qual a mensagem adventista tem chegado a muitas províncias diferentes do país.
Percorremos muitos quilômetros de norte a sul do país passando por lugares devastados pela guerra, aldeias, belas paisagens e uma realidade de miséria difícil de encarar. Entretanto, o prazer de poder repartir o pão da vida com essas pessoas maravilhosas e amáveis e de participar de suas experiências foi realmente um grande privilégio. Deus, com sua poderosa mão, livrou-nos de doenças perigosas e intempéries. Ao ver a realidade de meus semelhantes na Angola, percebi realmente o que é sofrer e arrependi-me de muitas vezes em minha vida ter sido impaciente e haver murmurado. Hoje sou grato a Deus pelo privilégio de servi-Lo em Sua causa. Oro sempre por um coração humilde e coragem para completar Sua obra aqui na terra.
Por Shirley Barahona
Assim que Deus me chamou para ir à África, através do IEST e de irmãos da Europa, avistei um gigante. Permaneci orando por um bom tempo e Satanás sugeriu que me demorasse em minhas limitações. Deus revelou Sua vontade e todas as evidências foram bem claras.
Foram três semanas de estágio e neste período trabalhamos na área de evangelismo, abordando temas como: saúde (tratamentos naturais e os oito remédios de Deus), temas bíblicos, aconselhamentos, culinária e evangelismo infantil.
Nossa equipe missionária consistiu das seguintes pessoas: Margareth (professora do CTMT), irmão Abílio (Portugal), pastor Cody Francis (EUA), Clayton e eu. Todos nós contamos com o apoio dos irmãos da Angola. Em três semanas fizemos três congressos em três províncias diferentes e viajamos cerca de 450 km para irmos de uma província a outra.
O primeiro congresso foi realizado em Uambo. Saímos de Luanda logo no segundo dia em que estávamos no país e passamos por várias outras cidades.
Permita-me descrever um pouco da realidade de Angola. A memória dos adultos ainda mantém viva as profundas marcas da guerra. Foram trinta anos de conflito e apenas sete anos de paz. Histórias tristes de uma guerra que somente resultou em milhares de mortos e aleijados, massacres, casas quase que completamente destruídas e muitas cicatrizes. Pode-se ainda ver algumas casas pela metade.
Apesar de tudo isso, fiquei muito feliz porque pude ver o trabalho incansável de irmãos submissos à vontade de Deus e dispostos a transpor as dificuldades, o cansaço, o frio e às vezes a falta de lugar para dormir. Alguns até mesmo deixaram a família para servir nos congressos que realizamos com um único objetivo em mente: salvar pessoas. Nunca vi nada parecido, são realmente missionários. Que fé! Foi um grande aprendizado. Glória a Deus!
Ao nos reunirmos para dar início ao primeiro congresso, percebi que deveria adaptar as palestras, pois a maioria não tinha instrução. Além disso, haveria poucas pessoas que falavam o português. Muitas pessoas falavam dialetos como o Umbundo e Kimbundo, entre outros, por isso, precisamos do auxílio de um tradutor.
Dever cumprido! Ao término do primeiro congresso, partimos para o segundo, saindo de Uambo para Malange. Nesse congresso, pude pregar para as famílias alertando a respeito das sutilezas de Satanás e o propósito de Deus para a edificação de um lar. No domingo, Margareth, Clayton e eu falamos um pouco a respeito dos oito remédios de Deus. Margareth ensinou uma gostosa broa de milho. Outra lição valiosa foi cozinhar com simplicidade num ambiente totalmente precário. O fogão era uma panela sobre uma fogueira no chão.
No último congresso, saímos de Malange e voltamos para Luanda. Dessa vez, havia muito mais pessoas do que nos dois congressos anteriores. Pessoas provenientes de diversas províncias (estados), como também a presença de quase todos os irmãos.
No sábado, Margareth e eu ministramos a escola das crianças. Havia tantas que nem dava para contar. Pude ver o quanto queriam aprender e como gostavam de cantar. Muito lindo! Observamos também a grande necessidade de material evangelístico, bem como de conhecimentos de saúde, de noções de higiene, dentre tantas. Os angolanos são pessoas dispostas a aprender, mas que em sua maioria não sabe como.
Sinto que em três semanas pude ajudar pouco e se Deus me permitir voltar, pela sua graça, estarei lá, só que agora com mais tempo.
Que Deus nos abençoe!
Texto 

