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Transigências Apropriadas

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Quando Nabucodonosor ameaçou Hananias, Misael e Azarias com sentença de morte por não adorarem sua imagem, eles demonstraram coragem e fé inabalável. Preferiram morrer a transgredir a lei de Deus. Daniel demonstrou a mesma inflexibilidade quando Dario assinou o decreto proibindo qualquer pessoa em seu reino de orar a outro deus senão a ele. Quando intimidados pelos membros do Sinédrio a não mais pregarem em nome de Jesus, João e Pedro declararam sem hesitação: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29).

No entanto, a Bíblia nos revela que a transigência nem sempre é ofensiva a Deus. Quando Jesus enviou Pedro a pagar as dracmas do Templo e quando Paulo circuncidou Timóteo, transigências foram feitas para evitar conflitos desnecessários. Paulo ensinou aos cristãos em Corinto que às vezes é preciso deixar fazer aquilo que é lícito, porque nem sempre é conveniente (1 Coríntios 10:23). Paulo ensinou o princípio que ninguém deve buscar “o proveito próprio; antes cada um o que é de outrem” (1 Coríntios 10:24).

Quando então devemos fazer concessões para agradar as pessoas, e quando permanecer firmes como a bússola o é ao pólo? Em quais situações devemos mudar nossa conduta para não ofender, e em quais devemos ser homens que se não comprem nem se vendam, que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus?1 Em que ocasiões se aplicam as palavras do Apóstolo Paulo: “Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns” (1 Coríntios 9:22)?

Creio que a resposta seja mais simples do que imaginamos. Paulo escreveu: “Segui a paz com todos…” (Hebreus 12:14). Ele mesmo qualificou essa ordem, dizendo: “Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens” (Romanos 12:18). Por que “se for possível”? Obviamente, nem sempre nos é possível. Por quê? A resposta encontramos na prova de que os três hebreus, Daniel e os apóstolos enfrentaram. Quando as exigências dos homens estão em conflito com as reivindicações de Deus (não nossos próprios desejos), é preferível guerras e inimizades a harmonia. É nos dito acerca dos fieis dos primeiros séculos: “Para assegurar a paz e a unidade, estavam prontos a fazer qualquer concessão coerente com a fidelidade para com Deus, mas acharam que mesmo a paz seria comprada demasiado caro com sacrifício dos princípios. Se a unidade só se pudesse conseguir comprometendo a verdade e a justiça, seria preferível que prevalecessem as diferenças e as conseqüentes lutas.”2

Recentemente, fui abordado por um irmão que estava enfrentando conflitos no casamento. Quando indaguei acerca dos motivos da tensão entre ele e sua esposa, descobri que estavam relacionados à sua religião, pois sua esposa não é adventista. “Por que ela não está feliz?” eu perguntei. “Ela não gosta que eu convide meus amigos da igreja para estudarem comigo em casa. Ela também não gosta que eu coloque música da igreja para tocar sexta a tarde”, ele respondeu. Eu perguntei: “Ela reclama quando você vai à igreja, ou devolve seu dízimo?” “Não necessariamente”, respondeu o irmão. Eu o aconselhei a fazer de tudo para agradar sua esposa, menos aquilo que estaria em conflito com um claro “assim diz o Senhor”. Eu lhe disse que era necessário se privar de direitos para viver em paz com sua mulher, e quem sabe, talvez um dia ganhá-la para Cristo. Nesse caso achei relevante o conselho do apóstolo Pedro: “Semelhantemente, vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se alguns näo obedecem à Palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem palavra; Considerando a vossa vida casta, em temor” (1 Pedro 3:1, 2). O mesmo princípio se aplica aos maridos que desejam converter suas esposas. Desde que não venhamos a ferir princípios divinos, podemos transigir para ganhar almas!

 

1 Ellen G. White, Educação, p. 57
2 Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 45