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Quando Disciplinar e Quando Não

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Atualmente, existem dois pontos de vista extremos concernentes à disciplina eclesiástica. Consequentemente, a seguinte afirmação se aplica hoje à Igreja: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas.”i Enquanto um grupo insiste que é errado disciplinar a quem quer que seja, outro grupo argumenta que qualquer desarmonia com as diretrizes da Igreja, esteja relacionada aos princípios ou não, merece disciplina ou até exclusão.

Aqueles que acreditam que a disciplina eclesiástica nunca é apropriada reivindicam que unicamente um Deus infalível pode julgar pessoas. Sustentam que aqueles que tentam disciplinar algum irmão são hipócritas, porque eles mesmos são pecadores. Apesar de nenhum homem ter o direito de julgar os motivos alheios, a Bíblia é clara em afirmar que pecados abertos devem ser abertamente reprovados: “Aos que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor.”ii Paulo claramente explanou como tratar uma pessoa que abertamente transgride a lei de Deus na Igreja: “Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador... Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo.”iii Jesus também foi claro quanto à necessidade de, às vezes, excluir pessoas que estão em pecados declarados.iv

No Manual da Igreja, à página 194, na edição de 2005, sob o título: “Razões para Disciplina dos Membros”, encontram-se doze razões pelas quais os membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia podem ser submetidos à disciplina. A oitava razão diz o seguinte: “Adesão ou participação num movimento ou organização separatista ou desleal”. A nona afirma: “Persistente negativa quanto a reconhecer as autoridades da Igreja devidamente constituídas, ou por não querer submeter-se à ordem e à disciplina da Igreja.”

Embora ninguém argumente que os membros da igreja devam ser desestimulados de tomar parte em um ministério ou organização separatista ou desleal, é, todavia, preocupante que dessa maneira um critério subjetivo seja registrado como padrão para disciplina na Igreja. Quem determina se o ministério ou organização é separatista ou desleal? Qual é a definição desses termos?

De acordo com a Bíblia e os escritos de Ellen White, devemos reconhecer as autoridades da Igreja devidamente constituídas e nos submetermos a ela como um dever sagrado, “dentro de sua legítima esfera. Mas, quando suas exigências se chocam com as reivindicações de Deus, temos que obedecer a Deus de preferência aos homens. A Palavra de Deus precisa ser reconhecida como estando acima de toda a legislação humana. Um ‘Assim diz o Senhor’, não deve ser posto à margem por um ‘Assim diz a igreja.’”v Solicitar um “assim diz o Senhor”, ou não concordar com um líder, seria considerado “persistente negativa quanto a reconhecer as autoridades da Igreja devidamente constituídas”?

Quando se torna necessário disciplinar ou excluir um membro, as razões pelas quais se aplicam tais medidas devem ser claras e objetivas, e a pessoa deve sempre ter o direito de se defender. Se ela realmente merece a punição, não há necessidade de temer que sua defesa seja ouvida diante de todo o plenário da Igreja. Por outro lado, quando a lei de Deus for transgredida abertamente, e a Igreja tiver conhecimento disso através de fatos palpáveis, o poder aquisitivo ou a posição ocupada pela pessoa que está sendo julgada jamais deve tornar-se um critério para influenciar a decisão de discipliná-la ou não. Que Deus nos conceda sabedoria e coragem para tomarmos decisões corretas e justas para Sua honra e glória.

 

i Isaías 5:20.
ii 1 Timóteo 5:20.
iii 1 Coríntios 5.
iv Mateus 18: 15-17.
v Atos dos Apóstolos, p. 69.