Inicial Texto Artigos Diversos Não somos todos um "sacerdócio real"? - Melissa Silva

Não Somos Todos um “Sacerdócio Real?”

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Uma questão muita controversa dentro da igreja hoje é o assunto da ordenação de mulheres. Depois de tantos anos de opressão, o gênero feminino finalmente começou a conquistar o respeito da sociedade. Para muitos, porém, parece que apenas a igreja continua recusando às mulheres os seus direitos. Não servimos nós a um Deus justo? O que ensina a Bíblia? Embora homens e mulheres sejam iguais, cada um tem um papel diferente a desempenhar na obra de Deus.

Antes mesmo de discutir sobre os papéis dos gêneros dentro da igreja, há um alicerce importante que deve ser estabelecido – a fé. “A fé é esperar que a palavra de Deus fará o que diz, e depender desta palavra para fazer o que ela ensina.”1 Devemos depender completamente das Escrituras e estar dispostos a aceitar e aplicar qualquer verdade ensinada por ela.

Muitos afirmam que alguns princípios bíblicos não são mais aplicáveis em nossos dias devido à grande evolução que ocorreu na sociedade. Isso não pode ser assim, pois “o papel do Espírito Santo na inspiração das Escrituras assegura que os escritores da Bíblia não foram prisioneiros das estruturas opressivas de seus dias.”2

A inibição da ordenação de mulheres não apresenta nenhuma relação com a igualdade entre os gêneros. Tanto a Bíblia quanto o Espírito de Profecia são claros quanto ao fato de que os homens e as mulheres são iguais. Ambos foram criados à imagem de Deus (Gênesis 1:27). Ambos são redimidos (Gálatas 3:28) e ambos são co-herdeiros da graça (1 Pedro 3:7). “Ao criar Eva, Deus pretendia que ela não fosse nem inferior nem superior ao homem, mas em todas as coisas lhe fosse igual.”3

Essa igualdade, porém, não quer dizer que ambos os sexos exerçam a mesma função ou papel. Observe o exemplo de Coré. Ele disse a Moisés: “Basta-vos, pois, que toda a congregação é santa, todos são santos, e o SENHOR está no meio deles; por que, pois, vos elevais sobre a congregação do SENHOR?” (Números 16:3). Toda nação de Israel era santa e igual aos olhos de Deus, mas o Senhor tinha especificadamente separado e ordenado Arão para exercer a função do sumo sacerdócio, e qualquer um que cobiçasse essa posição, cometia pecado. Foi por essa razão que Coré morreu (Números 16:32).

Alguns acreditam que as mulheres não podem exercer a função pastoral, mas podem ser anciãs. A Bíblia, no entanto, ensina que o papel dos anciãos é o mesmo dos pastores. Ambos representam autoridade de liderança na igreja (Atos 20:17, 28). Ambos necessitam das mesmas qualificações. As qualificações de um pastor encontram-se em 1 Timóteo 3:1-7 e as de um ancião estão registradas em Tito 1:5-9. Um dos requisitos tanto para o pastor quanto para o ancião é ser “marido de uma mulher...” (1 Timóteo 3:2). Lembre-se de que na Bíblia não há informação insignificante.

O modelo do lar pode ajudar-nos a entender melhor os papéis dos gêneros na igreja. O marido é o ministro da família. Os maridos representam “a relação de Cristo para com Sua igreja.”4 De acordo com 1 Pedro 5:1-4, esse é o mesmo papel desempenhado pelos pastores e anciãos na igreja. A Bíblia declara: “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a Si mesmo se entregou por ela” (Efésios 5:25). Assim como Cristo é a cabeça da igreja, e o marido é a cabeça do lar, as funções de autoridade dentro da igreja devem ser ocupadas por homens. “Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?” (1 Timóteo 3:5).

Embora o homem deva ser o regente do lar, o esposo e a esposa são interdependentes. “Todavia, nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor” (1 Coríntios 11:11). A interdependência não pode existir a não ser que ambos partidos se complementem com suas qualidades e funções diferentes. Deus tem uma obra especial designada às mulheres, mas “em seu desejo de uma esfera mais elevada, muitas tem sacrificado a verdadeira dignidade feminil, e a nobreza de caráter, e deixam por fazer precisamente o trabalho que o Céu lhes designou.”5

No lar, tanto o pai quanto a mãe são importantes, embora não exerçam o mesmo papel. Na igreja ocorre o mesmo. Assim como a mãe realiza um trabalho que o pai não pode realizar, da mesma forma as mulheres no seio da igreja realizam um trabalho que os homens não podem suprir. A respeito das mulheres que se dedicam à causa de Deus, foi-nos revelado: “O Salvador fará refletir a luz de Seu rosto sobre essas abnegadas mulheres, e dar-lhes-á poder que ultrapassa ao dos homens. Elas podem fazer nas famílias uma obra que os homens não podem fazer, obra que alcança a vida íntima. Podem chegar bem perto do coração daqueles que estão além do alcance dos homens. Seu trabalho é necessário.”6

Muitas vezes, não é fácil adotar a guia escritural acerca dos papéis dos gêneros na igreja devido à maneira que nossa mente foi condicionada a pensar. A fé, porém, não tem relação alguma com sentimentos ou direitos supostos. “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a Si mesmo tomando a forma de servo, fazendo-Se semelhante aos homens” (Filipenses 2:5-7). Cristo, o Criador e Redentor, sabe quais papéis cada gênero deve desenvolver a fim de ser feliz.

 

1 A.T. Jones e E.J. Waggoner, Lessons on Faith (Brushton: TEACH services, Inc., 1995), p. 8.
2 Samuel Koranteng-Pipim, Serching the Scriptures (Berrien Springs: Adventists Affirm, 1995), p. 64.
3 Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2002), v. 3, p. 484.
4 Ellen G. White, O Lar Adventista (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1996), p. 117.
5 Ellen G. White, Patriarcas e Profetas (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1996), p. 59.
6 Ellen G. White, Evangelismo (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1997), p. 464.